Página Inicial Data de criação : 08/01/10 Última actualização : 11/12/16 17:51 / 191 Artigos publicados

B Fachada - B Fachada (2001)  Inserido Friday 16 December 2011 17:34

Blogue de walrus :A Hard Day´s Night, B Fachada - B Fachada (2001)

Mais um álbum de B Fachada ? De todo, o disco que aqui se apresenta é outro capítulo na história da permanente reinvenção artística e pessoal do autor de "Kit De Prestidigitação", prosseguindo a tão propalada caminhada autoral única.

Na magistral ode Gainsbourguiana, "Não Pratico Habilidades", canta-se "Tu desconfias do Diabo, mas o Diabo é meu professor" e a estrofe em si mesma pode não parecer original, pode até parecer um cliché, mas Fachada acertou no alvo, pela entoação marcada e súbtil que o distingue dos demais.

Outra canção que merece figurar no altar das criações fachadezas é seguramente a folia mordaz de "Está Na Hora Da Passa", que contrasta com a reflexividade de "Sozinho No Róque" ou a imagética vívida de "Roupa Na Estrada".

Quem esperava encontrar a continuação do desbragamento épico de "Deus, Pátria E Família" ou remeniscências vincadas da pop de "É Pra Meninos", desangana-se, mas estão lá os pianos delicados e a continuidade do abrandamento na afectação vocal.

A bem da verdade, o novo álbum homónimo do músico dos Diabo Na Cruz, ao qual não falta uma exuberante faixa escondida, é uma colecção de nove temas que se ouvem com renovado interesse e potenciam inéditas aventuras futuras. 

 

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Acadêmicos da Rua - Entrevista com JrWise  Inserido Sunday 16 October 2011 00:36

Blogue de walrus :A Hard Day´s Night, Acadêmicos da Rua - Entrevista com JrWise

Actuaram em Lisboa no passado dia 10 de Setembro, no espaço cultural Arte & Manha, deixando bem vincadas frases melódicas que incitam a valorizar a auto-estima: "encontre a positividade no seu coração", ou mantras rasta: "eu vejo vários irmãos na rua sofrendo preconceito, lá no Brasil não é preciso visto para entrar, mas necessita respeito".

Na bagagem traziam o gosto partilhado pelos timbres clássicos dos anos 70, reggae, ska e funk à cabeça, não descurando a utilização de instrumentos vintage na sua performance. Com o quartel general assente em Barcelona, o rastaman e vocalista Jota-III, o guitarrista JrWise, o baterista Juninho Ibituruna compõem o núcleo brasileiro do grupo, completado pelo baixista e produtor catalão Paquito "Mystic Man".

Com a edição do EP "J.III & Acadêmicos Da Rua, Volume 1", a banda permaneceu fiel às suas raízes setentistas, apresentando um som integralmente orgânico e piscando o olho às plataformas analógicas e às vibrações jamaicanas e brasileiras. O trabalho pode ser descarregado gratuitamente no site da banda: http://j3oficial.com.br

Em conversa com o A Hard Day´s Night, o músico JrWise falou da música e de outros aspectos relacionados com o Acadêmicos da Rua:

 

Nos vossos reggaes e funks há uma marca muito forte do hip hop. Porque resolveram juntar esta componente ?

Quando formámos a banda, um projecto que eu desenvolvi com o Paquito, procurávamos um vocalista. E pensámos no J.III que era meu amigo. Ele tinha uma influência forte de rap e de hip hop e fez dois trabalhos a solo em que, nomeadamente, misturou o rock com hip hop. E como eu gostava dessas sonoridades convidámo-lo para integrar o grupo. Na altura, disse-lhe que iamos produzir uma parte do disco mais dub, funk, e cantada, e numa parte tu vais rimar e funcionou (risos).

De todas as vossas influências musicais, quais são as mais fortes ? 

Nós ouvimos muito a música jamaicana, funk norte-americano e música brasileira. Mas, bandas como The Meters , Parliament Funkadelic ou músicos como James Brown são mais evidentes na nossa música. E as nossas linhas de baixo são muito influenciadas pelo dub. Também gostámos muito do rocksteady e influencia muito a nossa parte rítmica.

O vosso som combina com uma linguagem urbana muito vincada. Sentem que têm algo a dizer ao mundo ?

Temos um compromisso muito sério nas letras. Queremos transmitir uma mensagem de esperança e procurar trazer uma mudança ao mundo. Hoje em dia, as coisas estão muito desorganizadas como acontece com a política e religião, entre outras coisas. Tentamos, de alguma forma, trazer algo de positivo à vida das pessoas.

Na actuação do Arte & Manha, contemplaram o público com um ragga psicadélico. É um espírito de fusão simples ou procuram a originalidade ?

Procuramos sempre ser originais. Não nos passa pela cabeça fazer só reggae ou hip hop, como muitos grupos fazem. Gostamos da fusão, de misturar estilos e colocar elementos nossos. Quando pensámos em fazer isso, tentámos fundir uma linguagem psicadélica na batida do ragga. Utilizamos muitos os efeitos de delay para obter essa sonoridade e o J.III improvisa letras de Chico Science & Nação Zumbi e isso insere-se no nosso espírito de fusão com originalidade.

A cover de "Cissy Strut" ganhou novas cores com o rap do J.III. Como adaptaram a vossa mensagem ao funk de Nova Orleães ?

Eu, o Paquito e o Juninho já temos muitas influências do funk. E eu próprio toco numa banda, The Slingshots, em Barcelona, com esse espírito.  The Meters é dos grupos que mais me influenciou desde que começei a ouvir essa sonoridade. Aprecio o toque deles, a forma como transmitem a sua música e os timbres, que são quase similares aos nossos. A fusão do hip hop e do funk já foi feita, mas nós apropriámo-nos do som e colocámos letras nossas. Neste caso, a letra é do segundo disco do J.III e resolvemos fazer uma versão que traz a força do funk e do hip hop conjugados.

A vossa actual digressão vai passar pela Inglaterra e Bélgica. Pode-me falar um pouco desses espectáculos ?

O show na Inglaterra é integrado no festival Espirito Brum, que convida artistas brasileiros a tocar na base do intercâmbio cultural e também leva músicos ingleses a tocar no Brasil. É constituído por músicos e djs que fazem uma mistura do dub e rocksteady e nós vamos ser uma das bandas principais, mostrando o nosso trabalho cem por cento em português. Na Bélgica, tocaremos num festival de música alternativa, em Ghent, onde já actuei como mc de drum n´bass em 2008 e 2009. As pessoas da organização ouviram o nosso disco, disseram-nos que encaixava no espírito pretendido e aceitámos participar.

Sei que pretendem lançar o EP no formato de vinyl. Como está a decorrer o processo ?

Conseguimos chegar a acordo com uma subsidiária inglesa que faz prensagens a um preço muito bom. E o disco será produzido e lançado no nosso selo, Sweety Music Recordings, de Barcelona, sociedade minha e do Paquito, e o formato de vinyl deverá estar disponível em Dezembro próximo ou Janeiro.   

Quais são os vossos planos futuros ?

Em princípio, lançaremos um novo EP no Verão do próximo ano. Na realidade, gravámos um ábum com 12 temas, mas só editámos seis canções. Mas, também estamos interessados em fazer um trabalho com outros elementos sonoros, como é o caso do ragga psicadélico que citaste. Pretendemos lançar um videoclipe oficial e já temos dois clipes gravados que estão em edição. 

 

 

    

 

 

 

 

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Pato Fu - Musica De Brinquedo Ao Vivo  Inserido Saturday 08 October 2011 00:04

Blogue de walrus :A Hard Day´s Night, Pato Fu - Musica De Brinquedo Ao Vivo

Decididamente, o Pato Fu não brinca em serviço quando o assunto é pôr em prática "extravagâncias saudáveis". Gravado entre 9 e 10 de Abril de 2011 no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, o DVD "Música De Brinquedo Ao Vivo", desde logo, beneficia com a atitude dos músicos perante os instrumentos de brinquedo, os convidados Thiago Braga e Mariá Portugal não são excepção, e com os monstrinhos do Teatro de Bonecos Giramundo, de uma forma assinalavelmente profissional e digna do espectáculo executado.

As músicas seguem o fio condutor do espírito do CD que norteou este show e misturam-se com sucesso a velhos clássicos da banda como "Eu", "Perdendo Dentes" ou "Made in Japan" (brilhante na forma e conteúdo). Tudo serve para gerar sons de empatia entre adultos e crianças: um chaveiro fantasminha, um kazoo, um "lápis falante" ou um diálogo divertido entre Fernanda Takai e um dos bonecos que confessa gostar de pizza de durex (fita cola).

Para além da comunhão das almas, o Pato Fu oferece grandes momentos performativos. A versão cristalina e interactiva de "Ovelha Negra" resgata o 'old charm' da banda (de que "Frevo Mulher" já tinha sido um bom aperitivo), "Twiggy Twiggy vs James Bond" é uma ementa pop irresistível, "Love Me Tender" preserva o encanto original animado a caixinha de música e a sonzeira (desbunda) da secção rock de  "Bohemian Rhapsody" encerra em beleza as festividades.

Num momento de pausa entre as canções, John Ulhoa afirma que: "Sons horríveis aplicados para o bem se chama Pato Fu". E a sensação de puro gozo mora ali perto com a sintonia entre a música executada, em condições particulares, articulada com as conversas e cantorias dos pequenos bonecos, sem nunca resvalarem para o ridículo ou caricato. O desafio de agradar a gregos e troianos era considerável, mas o resultado final deste magnifico trabalho revelou uma vez mais que a banda mineira é uma das mais incríveis tribos do ocidente. 

 

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Dead Lover´s Twisted Heart - Where I Am  Inserido Monday 01 August 2011 23:13

Passaram desapercebidos dos olhares da crítica e do público lisboeta durante a sua actuação no espaço cultural Arte & Manha, no passado dia 21 de Julho. Rotulados como "a grande sensação independente brasileira", assinaram uma performance interessante, aliando uma dose elevada de diversão a um espírito dançante.

O álbum DLTH foi o prato forte da ementa do grupo mineiro. Destacando-se o indie rock com laivos punk de Rock Hurts and The Heart Beats, o country convicto de Line 5102 e uma música popular com roupagens a la chançon de Isabelle.  

As composições cantadas em inglês predominaram, constituindo o âmago do quarteto de Belo Horizonte que tem no vocalista Ivan Vaz um mensageiro persuasor, auxiliado pelo guitarrista Guto Borges, com a secção rítmica a cargo do sereno baixista Vinikov e da baterista Patrícia Rezende (Patsy).

Numa entrevista recente, Guto Borges manifestou a versatilidade do conjunto: "somos uma banda que assume qualquer cara, desde que seja legal". Essa polivalência dos Dead Lover´s Twisted Heart expressa-se não só na diversidade de estilos musicais abarcados, mas também na forma como os integrantes do grupo alternam os instrumentos e interagem.

Exemplo disso foi a forma como Patsy assumiu a vocalização de Where I Am, qual Nico frágil e doce (e o quarteto até fez uma cover dos Velvet Underground), cantando de uma forma delicada, num exercício pop de curta e irresistível duração, com a perfeição ao virar da esquina.   

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Amy Winehouse (1983-2011)  Inserido Sunday 24 July 2011 18:17

Blogue de walrus :A Hard Day´s Night, Amy Winehouse (1983-2011)

30 Maio de 2008, Rock In Rio, Parque da Bela Vista, em Lisboa, seis excelentes músicos e dois vocalistas prolongaram um tema instrumental, até onde podiam, para disfarçar um atraso indisfarçável da estrela da noite. Amy entrou em cena, pediu desculpa pelo atraso, atacou os clássicos do seu repertório com a voz visivelmente debilitada, bebeu,chorou, tropeçou e até tirou um saquinho suspeito do soutien. As 90.000 almas presentes perdoaram-lhe tudo e as dúvidas dissiparam-se com a adesão popular a Rehab ou Tears Dry On Their Own. Esta foi a primeira e última vez que Amy Jade Winehouse actuou em Portugal.

Da sua garganta saía a soul music, principalmente, um pouco de Aretha Franklin, o jazz também lhe corria nas veias, mas, acima de tudo,sobrava-lhe carisma e era, provavelmente, um dos últimos fenómenos musicais dos últimos tempos dignos desse nome. Mick Jagger disse uma vez: "Ela tem classe, mas receio que não vá muito longe". Agora, apregoam-se as teorias do "maldito número 27", a mesma idade com que tombaram Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison ou, mais recentemente Kurt Cobain, mas será que foi apenas isso ?

A cantora londrina era um avião em rota de colisão há muito tempo. Os sinais abundavam: o eterno sucessor do álbum Back to Black, previsto para Janeiro deste ano, constantemente adiado devido aos problemas resultantes dos seus vícios de álcool e drogas e as últimas actuações demasiadamente penosas e mal sucedidas. Pode-se especular e apontar o casamento turbulento com Blake Fielder-Civil como uma das razões do triste desenlace, mas o cerne da questão está mais direccionado para a falta de acompanhamento e vigilância da entourage de Winehouse e, principalmente, dos seus verdadeiros amigos.

Ela avisou nas suas canções: "Tentaram levar-me para uma clínica de reabilitação e eu disse não, não, não" ou "Eu disse-te que era um problema". Palavras para quê ? Nasceu um mito, um mito que influenciou gente como Adele Atkins (de quem era amiga), Gabriella Cilmi ou Paloma Faith e que vai contribuir para uma recuperação momentânea da depauperada indústria fonográfica, através da venda do material antigo e, seguramente, da edição de um último e lucrativo trabalho de originais, resultante de gravações mais recentes. Will you still love me tomorrow ? Absolutely Mrs. Winehouse.     

 

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