O advento da música electrónica, em finais da década de 80, funcionou como um autêntico despertador para um rock n´roll adormecido e algo preguiçoso. Do lado dos inconformados destacaram-se os Guns N´ Roses, os eternos AC/DC, Whitesnake e Aerosmith, bem como projectos hard n´heavy do calibre de uns Skid Row. O grunge dava os seus primeiros passos e consagraria os Nirvana, Pearl Jam, mas também os Alice In Chains. Paralelamente, assistia-se a um revivalismo 70´s mais centrado nas raízes do rock clássico de que os Black Crowes seriam os grandes expoentes.
A história de Leonard Albert Kravitz começou em Nova Iorque, em Maio de 1964. Desde muito cedo, "Lenny" habituou-se a ouvir música que os pais escutavam: R&B, gospel, blues e os Jackson 5 seriam o seu primeiro grupo de eleição. Com a mudança da família para Los Angeles, em meados dos anos 70, tomaria contacto com os grandes nomes do rock: Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Pink Floyd, Cream e The Who. A vontade de se tornar um músico profissional crescia e, pese embora alguns desencontros com várias editoras, assinaria um contrato com a Virgin Records, em 1989.
A estreia em disco acontece no mesmo ano, com "Let Love Rule". O trabalho obteve um sucesso moderado, mas revelou um músico capaz de tocar todos os instrumentos e um flirt com o psicadelismo dos anos 60. A fixação em John Lennon era evidente na canção que dava nome ao álbum e "Sittin´ on Top of the World" também era um bom exemplo de composição. Com "Mama Said" as coordenadas voltaram-se para o início dos anos 70 e a escrita de canções melhorava. A escapadela soul de "It Ain´t Over ' Til It´s Over" e a roqueira "Always On The Run" eram os bons exemplos de um trabalho que incluía a balada "Stand By My Woman".
Em 1993, Lenny Kravitz era um músico reputado e já tinha escrito "Justify My Love" para Madonna e produzido o auto-intitulado disco de Vanessa Paradis. No entanto, faltava-lhe o golpe de asa e a consistência que "Are You Gonna Go My Way" possibilitaria. A imagem favorável de rebelde da contracultura pairou sobre um álbum que tem na poderosa faixa-título um exemplo notável de rock a la Hendrix. O airplay que o videoclip obteve nos canais musicais valeu-lhe um galardão de melhor artista masculino internacional, em 1994, na cerimónia dos prémios Brit Awards.
Se "Circus", de 1995 apenas consagrou o rock desbragado de "Rock and Roll Is Dead" e "5" produziu outro hit imediato, "Fly", a arte de Kravitz conheceria um novo ressurgimento com o single "Again". Mas, "Lenny", de 2001, seria a chave do sucesso. Sem possuir faixas memoráveis, pese embora "Dig In" o possa ser, tem uma classe indiscutível e equilibra baladas envolventes com temas pop a meio gás e poucos momentos aborrecidos. Na mesma altura, Kravitz escreveria o êxito "God Gave Me Everything" a meias com Mick Jagger.
Os últimos trabalhos do artista norte-americano não são particularmente inspirados, denotando alguma falta de soluções e, particularmente, nervo composicional. No entanto, quem assistiu à sua actuação no Estádio do Restelo, em Junho de 2002, sabe que os númerosos prémios recebidos até agora não são fruto do acaso e que pode esperar uma boa dose de funk rock no recinto do Rock In Rio 2008. Kravitz é um músico carismático e tem no guitarrista Craig Ross e na baterista Cindy Blackman dois grandes expoentes de uma linguagem que teima em não morrer. A escolha de vídeo recaíu no injustamente esquecido "Circus".