Página Inicial Data de criação : 08/01/10 / Última actualização : 08/06/28 01:56 / 37 Artigos publicados
 

Living Colour - A Hora e a Vez do Rock Negro  Inserido Thursday 24 April 2008 21:30

As raízes mais profundas do rock n´roll são negras. Como uma vez afirmou David Bowie: “os blues são o começo de tudo”. No entanto, a tradução musical deste conceito só encontrou um verdadeiro representante no mago da guitarra, Jimi Hendrix. Seria preciso esperar uma década para encontrar uma banda de negros a fazê-lo bem.

Navegando contra a segregação e previsibilidade que assolou o panorama do rock, durante os anos 80, os nova-iorquinos Living Colour começaram a ser notados pelas suas actuações, nomeadamente no famoso CBGB. As performances do quarteto não passaram desapercebidas a Mick Jagger que os ajudou a firmar um contrato discográfico.

No verão de 1988, o vocalista Corey Glover, o respeitado guitarrista Vernon Reid, o baixista Muzz Skillings e o baterista Will Calhoun viram os seus esforços compensados, com a edição do primeiro trabalho. O mérito de “Vivid” assentava em duas traves: consistência e “injecção” de doses razoáveis de funk, punk e rap ao hard rock característico da banda.

Era impossível negligenciar o hino “Cult of Personality”, que vivia de um bom riff de Vernon Reid e de uma letra povoada de referências obscuras a líderes do passado. Outros pontos de interesse de um álbum rico em boas surpresas incluiam o rock reggae de “Glamour Boys” e uma canção de amor desconsolado, “Broken Hearts”.

O galardão de “Melhor Performance de Hard Rock” para “Cult of Personality”, nos Grammy Awards de 1989, catapultou o disco para território platinado. As boas surpresas não ficavam por aqui. No outono desse ano, o quarteto tornava-se a banda de suporte da primeira digressão americana dos Rolling Stones, em oito anos.

Reconfortados pelo sucesso alcançado, voltariam a editar um novo trabalho, em 1990. Pese embora os resultados comerciais tenham sido razoáveis, não alcançaria o êxito retumbante do anterior álbum. Ainda assim, e percorrendo “Time´s Up”, encontram-se pequenas pérolas, sob a forma de canções agridoces, “Love Rears Its Ugly Head”, piscadelas aos Led Zeppelin,“Type”  e exercícios interessantes de jazz rock, “Elvis is Dead”.

Após uma participação compensadora na edição inaugural do Festival Lollapalooza, no Verão de 1991 e da edição de um EP de sobras, “Biscuits”, o baixista Muzz Skillings abandona o projecto, sendo substituido por um músico experiente, Doug Wimbish.

Dois anos depois, “Stain” estava nos escaparates e com ele os Living Colour faziam uma aposta ambiciosa e obscura. Ao hit “Leave It Alone”, juntavam-se visões pessimistas, “Ignorance Is Bliss” e a ode improvável a um assassino, “Postman”. A maior consistência e provocação exibidas, deram continuidade ao culto dos fãs.

Em 1995, a banda separa-se, regressando seis anos depois. O resultado musical traduziu-se numa digressão, no Verão de 2001 e no  lançamento de um disco experimentalista, “Collideoscope”, sob os auspícios de uma nova editora, em 2003. Uma colectânea de raridades e uma compilação seriam editadas nos dois anos seguintes.

O mérito do agrupamento assentou na qualidade indiscutível dos músicos que o representaram e na ideia de que o rock  também pode ter uma mensagem, seja ela anti-racista, de que “Funny Vibe” é um exemplo perfeito, ou de outra natureza social e política. A minha escolha de vídeo contempla a sua canção mais conhecida, “Cult of Personality”. 

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