Tomei contacto com os Aerosmith pela primeira vez, em 1985. Confesso que fiquei relativamente impressionado com o engenharia de “Walk This Way”, resultante da primeira grande fusão entre rock e rap, via Run DMC. Alguns anos mais tarde, começei a ouvir o nome do grupo com mais frequência, por culpa de uma famigerada cassete oferecida a um amigo meu por uma rapariga americana.
Em 1991, ofereci o vinyl “Greatest Hits” ao meu amigo e fiz uma cópia para mim. Os resultados práticos apenas se resumiram a uma paixoneta pela versão de "Remember (Walking in the Sand)", das Shangri-Las. Um ano depois, numa passagem pela mítica discoteca Seagull, em Setúbal, vi o videoclipe de "Janie´s Got a Gun". Impressionado com a pujança da canção, parti à descoberta do àlbum "Pump", de 1989.
Dois camiões maliciosamente colocados um por cima do outro, na capa, davam o mote: O ângulo de abordagem era obviamente sexual. As honras de abertura pertenceriam a “Young Lust”, uma faixa bem exemplificativa do hard rock sujo tão característico dos Aerosmith. Mas é “Love in an Elevator” que merece os primeiros grandes aplausos, com a sua tradução linear de “sexo como prazer” e na boa performance vocal e instrumental dos Toxic Twins, Steven Tyler e Joe Perry.
Outros pontos de interesse incluem a irónica abordagem à toxicodependência de “Monkey on my Back” e a incursão nos blues de “Voodoo Medicine Man”. A análise a este feliz compacto de nove canções não poderia terminar sem passar em revista os restantes três grandes momentos. A já referida “Janie´s Got a Gun”, aborda o tema do abuso sexual de menores, recuperando as memórias de “Uncle Salty”, actualizando-as com sintetizadores e com mais potência sonora.
Por último, não há como escapar à contagiante “The Other Side”, animada por uma secção de sopro que funcionava como detonador da própria canção e a uma das suas grandes baladas de sempre, “What it Takes”, que consegue a proeza de ombrear com outro clássico absoluto dos Aerosmith, “Dream On”.
A partir de 1989, a carreira dos Aerosmith entrou numa espiral de sucesso, ultrapassando maus momentos anteriores e consolidando a banda como uma das grandes sobreviventes do género hard rock. Se é certo que “Get A Grip”, de 1993, significou um reconhecimento comercial mais alargado é inegável que “Pump” detém o título de melhor trabalho do grupo depois de 1977, batendo-se com “Toys in the Attic” e “Rocks”.

