Com "Rio" termino uma secção que me deu muito prazer elaborar. O grau de satisfação que senti, não se reduziu aos comentários publicados neste blog, mas encontrou eco nos muitos e-mails que recebi durante quase três meses. Antes de abordar a obra-prima dos Duran Duran gostaria de referir que as escolhas que fiz foram da minha exclusiva responsabilidade e, nelas, procurei reflectir os meus gostos pessoais e a validade dos mesmos. Sem a vossa participação, o trabalho teria sido muito mais complicado. Por isso, Muito Obrigado !
A ideia de disco pop perfeito encerra em si muitas variáveis, mas quando uma colecção de canções é definidora de uma época que teima em regressar, podemos incluír sem problemas o trabalho de 1982 dos Duranies. O segredo da longevidade de "Rio" assentou na qualidade da secção rítmica constituída por John e Roger Taylor, nos riffs de Andy Taylor e a combinação da elegância dos teclados de Nick Rhodes com a voz aveludada do cantor Simon Le Bon.
Uma boa execução técnica opera milagres, mas a ausência de grandes temas castra qualquer trabalho e condena-o ao esgotamento artístico. E foi precisamente isso que não aconteceu à banda de Birmingham. Durante uma apresentação no canal VH-1, Nick Rhodes definiu "Hungry Like The Wolf" como uma fixação em Mick Jagger. Inspirações à parte, o tema demonstra coesão e abraça a electrónica com um bom andamento de guitarra. A música que dá nome ao álbum encanta pela frescura e pelo grande solo de saxofone do convidado Andy Hamilton.
Não poderia faltar uma balada ao disco e, se pensarmos que "Save a Prayer" se tornou um clássico absoluto, muito deve ao "clima" quase tropical, baseado num encontro entre duas pessoas que se envolvem e cuja história amorosa termina abruptamente. Termino a minha apreciação, atribuíndo uma menção honrosa à sensualidade à flor da pele de "The Chauffeur" e a um "Lonely In Your Nightmare" que merecia e merece mais atenção radiofónica.