Página Inicial Data de criação : 08/01/10 Última actualização : 08/11/29 23:51 / 66 Artigos publicados
 

Kings of Convenience - The Weight of My Words  Inserido Friday 14 November 2008 22:24

Existem momentos diurnos, ocasionais e meditativos em que uma música acústica é tudo o que realmente precisamos. Faz parte da natureza humana. E os quatro minutos que vos proponho representam claramente um bom exemplo de introspecção em que voz e guitarras desenham uma paisagem envolvente.

Para quem não os conhece, os Kings of Convenience são um duo norueguês com três discos editados, previligiando baladas e notas delicadas. Ao presentear-vos com "The Weight of My Words" espero contribuir, simpaticamente, com uma possibilidade de reflexão.  Por vezes a calma é a nova forma de soar mais alto.

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Raul Seixas - A Estrela Que Nunca Se Apagou  Inserido Saturday 08 November 2008 19:40

Cantor, escritor de canções, guitarrista. Raul Seixas foi tudo isto e também um dos maiores poetas do rock brasileiro, integrado numa tríade que inclui, justamente, Renato Russo e Cazuza. 

Depois de algumas experiências em bandas de Salvador, o sucesso chegaria, finalmente, a solo, em 1973, com o tema "Ouro de Tolo", parodiando a ditadura e o milagre económico brasileiro. 

Os anos 70 seriam de resto o seu período de ouro: "Maluco Beleza", "Metamorfose Ambulante", "Gîtâ" e "Eu nasci há 10 mil anos atrás". Todas elas animadas por um espírito inconformista, iconoclasta e anarquista.

O sucesso do cantor da bahia decresceria mais tarde e o álbum "A Panela do Diabo", de 1989, parceria com o músico Marcelo Nova, conheceria, a título póstumo, o galardão de ouro.

Com as coordenadas apontadas a 1974 e ao programa Fantástico da TV Globo, apresento-vos o videoclipe de "Sociedade Alternativa". É a apoteose anarca do artista, celebrando a sua parceria com o futuro escritor Paulo Coelho, cantando o lema de Aleister Crowley, enriquecido com algumas tiradas nonsense

Raul Seixas morreu há 19 anos, mas a sua música é jovem. Como todas as almas fortes e irrequietas, continua a incitar-nos à liberdade e ao "faça você mesmo". Sim ! Porque a luz da sua estrela nunca se apagou. 

 

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Cansei de Ser Sexy - Descarga Sónica Regressiva  Inserido Wednesday 29 October 2008 21:15

As Cansei de Ser Sexy (CSS) contam com uma razoável legião de seguidores em Portugal que compareceu em massa à chamada, no Coliseu de Lisboa. Na realidade, tudo estava preparado para um concerto memorável, adiado sine die por circunstâncias de ordem criativa.

Foi essa a lição da noite de 28 de Outubro: profissionalismo, estilo e algum cansaço criativo no território de Lovefoxxx e suas gatas. Tudo porque a descarga sónica das CSS convence num "Meeting Paris Hilton""Music is My Hot Sex" ou em "Alala", mas os temas de "Donkey", prato forte do concerto, soaram demasiado límpidos e menos conseguidos do que o seu antecessor.

O grupo brasileiro não fez um mau espectáculo e em "Let´s Reggae All Night" ainda recuperou alguma magia perdida. Cabendo à cantora paulista a arte de "domar" o público, conseguida pelas vocalizações e coreografias empenhadas e por algumas referências à gastronomia portuguesa. Ela não nos cansa por ser sexy, mas é preciso mais qualquer coisa. 

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AC DC - Ainda Há Ouro Preto Debaixo Do Gelo  Inserido Tuesday 28 October 2008 12:01

Os AC/DC não têm muito a provar no mundo do rock n´roll. A sua música directa e suja influenciou várias gerações que se identificavam primeiramente com Bon Scott e Angus Young. Com a morte trágica do vocalista, as atenções dos fãs voltaram-se para o mítico guitarrista de uniforme colegial e, naturalmente, para o legado musical do conjunto.

Com a chegada do novo disco quebra-se um hiato de oito anos sem música original dos acadaca. Seria possível suplantar "Stiff Upper Lip" ?  Fazer uma aproximação ao patamar de "Back In Black" ?  São estas contradições, entre passado vitorioso e passado honroso, que alimentam "Black Ice"

Em 2008, a banda australiana consegue fazer algumas canções com nervo. O single feito boogie, "Rock N´Roll Train", a insistente "Skies on Fire" e o fuel do passado, "Big Jack", são grandes momentos. O restante material encontra o seu pináculo num exercício de slide guitar, "Stormy May Day" e na aparente calmaria de "Rock ´N´Roll Dream".

O único senão do trabalho reside na produção, a roçar o perfeitinho, de Brendan O´ Brien, que limou as arestas ao máximo, impedindo a banda de soltar as rédeas na sua tradicional plenitude. Ainda assim, o nível do álbum é alto e há motivos mais do que suficientes para partir o porquinho.

 

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Ney Matogrosso – A Ousadia Elegante  Inserido Sunday 26 October 2008 21:59

Outro concerto de Ney ?  Nada disso !  “Inclassificáveis” é um regresso em grande estilo à exuberância de tournés com os Secos & Molhados ou a solo: “Bandido”. Quando julgávamos que já nada tinha a provar aos 67 anos, Ney de Sousa Pereira responde afirmativamente à demanda do público por mais extravagância, aliada a um repertório de fino recorte, mas popular.

 

Fui um dos muitos espectadores presentes no Coliseu de Lisboa no passado dia 21 de Outubro. Animado à partida pelas boas recepções portuguesa e brasileira ao novo show do famoso cantor, depressa pude constatar que a alma do velho guerreiro estava de volta, à vista de todos e em grande estilo.

 

Na abertura do concerto, o som de sirenes e de vidros partidos introduz um artista emplumado, adornado com brilhantes, qual ave canora a debitar “O Tempo Não Pára”, de Cazuza. Ao longo do concerto as transformações sucedem-se, os cenários encantam e há até espaço para um strip-tease banhado de elegância.

 

A componente feérica do espectáculo, claramente vitoriosa, caíria por terra sem o necessário complemento musical e aqui as coisas funcionaram porque o bom gosto imperou. Do interminável rol de canções memoráveis, em que a pop voltou a nortear as preferências de Ney, “Mal Necessário” assume um cariz quase autobiográfico, “Um Pouco de Calor” comove e “Existem Coisas Na Vida”  é o exemplo perfeito de set acústico feito samba.     

 

Ney Matogrosso voltou ao seu universo particular. Como se adivinhasse que era exactamente disto que estávamos à espera. Obrigado Ney !  Não por nos fazeres a vontade, mas por seres capaz de nos presentear com uma hora e meia de magia pura.  

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