Página Inicial Data de criação : 08/01/10 Última actualização : 08/11/29 23:51 / 66 Artigos publicados
 

Carly Simon - O Doce Sabor Dos Anos 70  Inserido Saturday 18 October 2008 17:15

Desde há muito tempo que Carly Simon exerce em mim um grande fascínio. Não sei se tal se deve ao facto de ser uma mulher bonita feia ou de revelar uma faceta de espírito livre, que é sempre salutar nos dias que correm, mas, assina boas canções e com um suave bouquet de confissão pessoal.

Simon é detentora de uma carreira recheada de bons momentos, cujo epicentro mais memorável se situou nos anos 70.  São dessa fase os discos "Carly Simon", "Anticipation" e, principalmente, "No Secrets", de 1972. O casamento com o cantautor James Taylor, na mesma altura, também lhe rendeu um êxito: "Mockingbird".

A cantora alta, exótica e frágil sofreria em finais de 1980 um colapso durante um espectáculo. O afastamento dos palcos, ainda assim, não diminuiria o nível das composições.  Dois singles, "Why" com produção dos Chic e "Coming Around Again", seriam os expoentes máximos desse período.

Na década seguinte, sucederam-se os álbuns de versões que seriam interrompidos pelo primeiro trabalho de originais em muito tempo: "The Bedroom Tapes", de 2000. Terminando com o mais recente "This Kind of Love".  Em todas as fases da sua carreira, Carly Simon revelou elegância, humor e criatividade.

Deixo-vos com a sua canção mais famosa: "You´re So Vain". A mesma não deixa de revelar uma doce ironia: Quem é o vaidoso ?  Durante muito tempo pensou-se em Mick Jagger, antigo namorado da cantora e voz presente nos coros deste tema. O mistério foi resolvido há pouco tempo... era o actor Warren Beaty.

 

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Parabéns John Lennon !  Inserido Thursday 09 October 2008 15:00

John Lennon faria hoje 68 anos e, fazendo minhas as palavras de Yoko Ono, "importa mais recordar o dia em que nasceu do que o dia da sua morte". Se não tivesse morrido, suponho que a reunião dos Beatles já tivesse acontecido por volta de 1985, circa Live Aid, versão ao vivo, ou através de novas gravações durante esse período e até um pouco antes.

A hipotética reunião dos Beatles em disco pautar-se-ia pelo experimentalismo e pela contínua "dedicação" à boa ementa pop. Mas, o que importa referir neste dia é o imenso talento de um dos maiores criadores de música popular de sempre. Desde as noites intermináveis de gritaria rock em Hamburgo, passando pela conquista de Inglaterra, América e do mundo.

Se o período beatle revelou um espírito atento, crítico e até atormentado, não é menos verdade que a fase solo não espelhasse uma diversidade de sentimentos e de diferentes personas. Tanto me agrada o peacenik de "Mind Games" como o househusband de "Double Fantasy" . Em todos eles, John Lennon é vulnerável e, acima de tudo, autêntico.

John, aposto que terias feito mais discos "provocatórios" com a Yoko, parcerias com os teus amigos Macca e Elton e buscarias inspiração em fenómenos musicais que te estimulassem os sentidos. E, claro, farias da Internet o teu meio eleito para "imaginar" a ausência de fronteiras. Não deixo também de pensar nas farpas que terias mandado a uma Margaret Tatcher ou a este George Bush...

Como estás no céu, acompanhado da tua mãe, do George e demais amigos, e julgo que consegues ouvir, espero que as minhas palavras cheguem ao teu cantinho: sinto a tua falta e fazes muita falta a este planeta Terra. 

 

 

 

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ZZ Top - Live From Texas  Inserido Sunday 05 October 2008 17:00

As longas barbas de Billy Gibbons e de Dusty Hill já eram familiares, bem como a militância blues dos anos 70 e a "rendição" aos encantos da era MTV na década seguinte. O que realmente faltava no portfólio dos ZZ Top era o DVD oficial de um concerto dos mui afamados músicos texanos.

A demanda dos fãs de caderninho da banda chegou ao fim com este "Live From Texas", que resgata a actuação história de 1 de Novembro de 2007 no Nokia Theater, em Grand Prairie, no Texas. E o resultado não deixa de surpreender pela positiva, mesmo tratando-se de uma actuação caseira.

Tudo funciona porque eles foram iguais a si mesmos: Hill complementando no baixo a guitarra de Gibbons e Frank Beard a "bombar" a bateria nas medidas exactas. Depois há o carisma de Billy Gibbons, como grande executante de blues rock e exímio provocador: "Que tal tocarmos um blues sujo ?".

O repertório escolhido abrange todas as épocas do grupo, começando por um entusiasmante "Got Me Under Pressure", passando pela ode sexual de "Pearl Necklace", revisitando a tríade ganhadora de "Eliminator" e concluíndo em grande estilo com o purismo de "La Grange" e "Tush".

Os quatro extras valem principalmente pelo jogo de póquer entre os três membros dos ZZ Top, no qual se vai relembrando o começo da banda, encontros com Muddy Waters e Rolling Stones e antigas tournés. Outro dado adicional é a  inclusão de uma interpretação de "Foxey Lady", de Jimi Hendrix. No total, são pouco mais de duas horas de renovado prazer.

 

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Extreme - De Volta a Portugal e aos Discos  Inserido Saturday 04 October 2008 20:33

Eles foram dos melhores no campeonato hard rock  da era George Bush pai. O segredo da receita Extreme assentava no virtuosismo do guitarrista Nuno Bettencourt, coadjuvado pelos dotes vocais de Gary Cherone. Tais predicados foram fundamentais, mas seriam escassos sem a necessária dose de êxitos que acabou por acontecer.

Ao fim de doze anos de separação amigável, eis que os rapazes de Boston regressam a Portugal para um espectáculo no Coliseu dos Recreios, de Lisboa, integrado na Take Us Alive Tour. O concerto próximo servirá de promoção ao mais recente e sugestivo trabalho do grupo: "Saudades de Rock".

Percorrendo o quinto álbum de originais, encontram-se alguns bons momentos: "Comfortably Dumb", "Run" e "Ghost", mas nada que comprometa ou impulsione a carreira dos Extreme. Para os viajantes dos anos 90, o que importará mesmo ouvir na noite de 29 de Outubro são as canções do período áureo do agrupamento...

Importa por isso destacar a heterogeneidade de uma banda que flirtou com o rock dos Queen em "Rest In Peace", arrancou algumas notas aos Everly Brothers na balada "More Than Words" e puxou dos galões de obreiros da causa hard em "Decadence Dance".  As opções musicais estavam a cargo de Nuno Bettencourt e as letras tinham a pena de Gary Cherone.

A componente lusitana dos Extreme ficou recentemente aumentada com a inclusão do baterista Kevin Figueiredo. Mas, portuguesices à parte, presenteio-vos com uma versão recente e ao vivo do magistral "Hole Hearted", abrilhantada pela presença do antigo baixista dos Led Zeppelin, John Paul Jones.

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O Tempo Não Pára  Inserido Saturday 13 September 2008 00:43

Qualquer brasileiro está familiarizado com a obra de Cazuza. À semelhança do "nosso" António Variações, ele foi inovador nas letras e irreverente na postura em palco. A urgência de cantar algo com impacto social norteou a carreira do antigo vocalista do Barão Vermelho e fez dele uma referência geracional.  

É comum dizer-se que o cidadão Agenor de Miranda Araújo Neto, vulgo Cazuza, foi o grande poeta do rock brasileiro. Mas, sem entrar em discussões académicas, apresento uma das melhores canções escritas em língua portuguesa e que comemora agora 20 anos de existência: "O Tempo Não Pára".   

Proclama-se a ode ao fim dos tempos ? Um homem que luta contra o avolumar da doença ? Contas mal ajustadas ?  Tudo isso, mas sempre de cabeça bem levantada: "Mas se você achar que eu tô derrotado saiba que ainda estão rolando os dados porque o tempo, o tempo não pára...".

Importava "estar aqui agora" com  vontade de soltar o verbo e sem medo de esconder uma degradação física por demais evidente. No léxico do "guerreiro urbano" cabiam todas estas facetas. É o Cazuza que acena ao Brasil e simultaneamente despede-se dele, com a sua canção mais profunda.  

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