Recordo-me claramente do início dos anos 90 em Portugal. Gradualmente, surgiam os primeiros sinais de inconformismo à "ditadura da música electrónica" Nas pistas de dança da linha do Estoril, como no Bauhaus, soavam as trombetas da revolução. Os Guns N´Roses enlouqueciam as massas com "Sweet Child O´Mine" e os AC/DC disparavam a matar com "Thunderstruck".
Do lado dos meus amigos surgiam as primeiras surpresas. Uma ex-namorada de um deles dizia-me que a nova música do Ozzy Osbourne era linda, aka "Mama I´m Coming Home". E um colega da universidade pedia-me que lhe gravasse uma cassete com temas pesados. Era mais do que uma revolução. Para mim, constituía um bálsamo que recebia de braços abertos.
No bar Gringo´s, em Lisboa, os motards deglutiam cerveja após cerveja ao som de "Dirty Boulevard". E no já extinto Seagull, em Setúbal, dançavam-se alguns clássicos do rock, ilustrados com videoclipes. Mas, o epicentro da festa estava, e sempre esteve, em Cascais, na mítica discoteca 2001, também conhecida pelo 2.
A história do 2 está associada ao fenómeno dos primeiros grandes concertos de rock, no Pavilhão de Cascais e à ideia correcta de que a linha do Estoril representa a verdadeira Califórnia portuguesa: sol, praia, raparigas, cervejas e carros. As famosas incursões nocturnas de um certo Bryan Adams, muito ligadas ao advento do hard rock nos anos 70, ajudaram a cimentar a liderança do famoso espaço nocturno, no Autódromo do Estoril, nas décadas seguintes.
Actualmente, a faixa etária do 2 é constituída por pessoas entre os 30 e os 40 anos e, claro, pelos muitos roqueiros que não dispensam a sua T-Shirt dos Ramones e a sua cervejinha preferida. Ninguém esquece o hard rock FM dos Bon Jovi, mas estão prontos a festejar "Whole Lotta Love", dos Led Zeppelin. Que me perdoem os frequentadores desse magnífico espaço, em Gaia, que dá pelo nome de Hard Club, mas todos os caminhos vão dar a Cascais.