Por norma, o blog que vos apresento não contempla
apreciações a formas de arte não musicais.
Resolvi abrir uma excepção esta semana para vos falar
do filme "Capítulo 27 - O Assassinato de John
Lennon", actualmente em exibição. Mais do
que publicitar o livro que inspirou Mark David Chapman a obter os
seus 15 minutos de fama ou a dar-lhe o destaque que nunca mereceu,
procurarei transmitir-vos as emoções que senti
durante 90 minutos.
Um dos aspectos
curiosos da obra de J.P.Schaefer é a ausência quase
total de música. Teria sido interessante ver Chapman a
escutar "Double Fantasy" pela primeira vez e praguejar
contra a irmandade musical e marital de John Lennon e Yoko Ono.
Gostaria também de destacar o papel notável
do actor Jared Leto, encarnando o coveiro do autor de
"Imagine" e "Give Peace A Chance".
A
fixação no "herói" do livro "Uma
Agulha no Palheiro", de J.D.Salinger, confere
à personagem do filme um carácter delirante,
doentio e com dificuldades de se relacionar com outras
pessoas. Sim, como o fotógrafo e amigo de Lennon, Paul
Goresh, uma vez disse: "Chapman era um idiota".
Faltou acrescentar... perigoso.
Dentro das
várias cenas exibidas destaco o momento em que o
assassino do ex-Beatle lê uma entrevista que o artista
concedeu à revista "Playboy" e enfurece-se com
o grau de riqueza que o mesmo detinha e, claro, o
momento estúpido e frio em que o "sonho acabou".
A estadia
de três noites em Nova Iorque, retratadas na
película, oscilam entre uma narrativa vagarosa e alguns
momentos de animação, no
contacto do personagem com fãs do
músico.
Nunca li a biografia
"Let Me Take You Down", em que Schaefer se inspirou para
compôr a figura central de "Chapter
27". Porém, sou capaz de aceitar alguns
devaneios psicóticos e juvenis, mas rejeito toda e qualquer
forma de violência para com alguém que nos deu
esperança, alegria, sonho e cuja felicidade lhe foi roubada
prematuramente.