Passavam 30 minutos da hora marcada e a impaciência do
público do Coliseu de Lisboa aumentava. Nada de Rita
Lee, mas eis que a cantora Débora Reis "acorda" a
assistência com um quase striptease. Logo de
seguida, aparecem os músicos e com eles a senhora da noite.
A abertura da edição lusitana da Pic-Nic
Tour esteve por conta de "Flagra", numa
versão mais rock. Mas, era mesmo disso que se
tratava: celebrar a mais legítima representante do rock
n´roll brasileiro.
Intercalando canções como "Nem luxo nem
lixo" ou "Saúde", e ao longo de todo o
espectáculo, Rita Lee Jones ia contando histórias
engraçadas e deixando um "obrigadinho" para as pessoas que
largaram o conforto do lar ou a telenovela brasileira para a vir
ver cantar. O seu marido Roberto de Carvalho, com quem
está junta há 32 anos, e o filho Beto Lee, ambos
guitarristas, destacavam-se num ensemble musical
afortunado.
A ex-Mutantes
revisitou com sucesso o legado do seu antigo conjunto em
"Ando Meio Desligado" e fez duas covers:
"Roll Over Beethoven", de Chuck Berry e um hilariante
"O bode e a cabra", parodiando "I Wanna Hold Your
Hand", dos Beatles, em versão forró. O
grande momento da noite, não necessáriamente o mais
aclamado, veio ao som de "Vítima", do álbum
"Rita e Roberto", de 1985, transportando consigo um
imaginário urbano e psicótico muito ao jeito de
"Midnight Rambler", dos Rolling Stones.
Findados 80 minutos de canções entoadas a plenos
pulmões, a plateia encontrou forças para o
encore que trouxe, entre outras, "Mania de
você", "Desculpe o auê" e "Papai
me empresta o carro". A cantora paulista
mostrou que, aos 60 anos, ainda sabe entreter e
conquistar o público que paga para assistir aos seus
espectáculos. Sim, foi uma noite bem passada.
Que venham mais momentos assim !