A primeira
actuação de Amy Winehouse em território
nacional saldou-se por um relativo fracasso. Indiferente aos cerca
de 120.000 espectadores que se deslocaram ao Parque da Bela Vista,
propositadamente, para a ver ao vivo, a autora de "Back to Black" desfilou
a sua habitual dose de drugs & alcohol,
definitivamente agravada por uma falta de voz
notória.
Durante 100 minutos,
a cantora londrina procurou contornar o problema vocal com palavras
simpáticas e pequenas confissões para o
público presente, que, afinal de contas, esteve sempre do
seu lado. Perante este cenário,
seria a competência dos músicos
a transmitir mais animação ao
próprio espectáculo.
Quer isto dizer
que tudo resultou num grande fiasco ? Errado ! Por
culpa de dois momentos chave. A bem conseguida versão
ska de "A Message to You Rudy" dos The
Specials, na qual Amy empunhou uma guitarra e, principalmente, na
acertada e familiar sequência final de
canções: "You Know I´m No
Good", "Rehab", "Me & Mr.
Jones" e "Valerie".
A primeira noite do Rock In Rio 2008 continuaria com
o experiente roqueiro Lenny Kravitz, mas o sentimento que dominava
as pessoas presentes era mais satisfatório, por ter
visto aquela de quem todos falam, e menos marcado pelo
deslumbramento de quem presenciou o acontecimento
artístico da sua vida.
Prestes a completar
25 anos, Amy Winehouse é um dos poucos mitos da
música popular de inícios do século XXI. Tudo
por culpa de uma grande voz, boas canções, elogios de
outros músicos e dos seus conhecidos excessos, que
alimentam a insaciabilidade dos media. De futuro,
gostava que juntasses a tudo isto um pouco mais de
profissionalismo. Se o consegues ? Claro que sim
Amy !