Para o bem e para o mal, os anos 70 simbolizaram os excessos do estilo de vida rock n´roll. Durante esse período, multiplicaram-se os concertos em salas enormes, estádios e consagram-se as interpretações virtuosas, assentes em longos solos. Bandas como os Deep Purple, mas principalmente os Led Zeppelin, incorporaram as raízes negras e criaram o estilo hard-rock, caracterizado, também, pela alternância de temas pesados e das baladas.
Entretanto, surgia um novo projecto que visava levar ao extremo uma concepção branca do rock n´roll. No entanto, se é razoável designar os Black Sabbath como pioneiros do heavy-metal, o mesmo epíteto não se pode aplicar aos Blue Oyster Cult e à sua fusão de hard-rock, psicadelismo e temas inspirados na ficção científica e terror (Stephen King foi uma das suas referências).
A génese da banda data de finais de 60, em Long Island (Nova Iorque), a partir de um encontro de críticos musicais. Depois de várias formações e de diferentes nomes, Soft White Underbelly e Oaxaca, a designação Blue Oyster Cult oficializou-se em 1971. Uma ano depois, o line-up constituido por Eric Bloom (vocalista e guitarrista), Buck Dharma (guitarrista), Allen Lanier (teclista), Joe Bouchard (baixo) e Albert Bouchard (baterista), lança o seu primeiro disco oficial.
"Blue Oyster Cult" surpreende pela sua crueza e por dois temas irrecusáveis: "Stairway To The Stars" e "Cities On Flame With Rock & Roll". A pureza dos riiffs de Dharma começa a surpreender, tal como as rítmicas e os textos dos críticos Sandy Pearlman e Ricard Meltzer, que lhes valerá mais tarde, e muito justamente, a aclamação norte-americana e o interesse crescente das audiências europeias.
Seguiu-se "Tyranny & Mutation" e o aprofundar das primeiras boas impressões, com a fixação temática no ocultismo. A chegada de 1974 traduz-se na edição do terceiro e mais emblemático trabalho do agrupamento: "Secret Treaties". Nele, incluem-se uma saborosa ementa pop/rock, "Career Of Evil", uma melodia de chamada e resposta irresistível, "Dominance and Submission" e o grande hino do grupo, "Astronomy".
Se o terceiro álbum lhes valeu o primeiro disco de ouro, "Agents of Fortune", de 1976, revelaria o primeiro single de êxito: "(Don´t) Fear The Reaper". A canção, baseada numa variação a la Byrds, teve a assinatura de Buck Dharma, sendo utilizada no filme "Halloween", de John Carpenter e, em última análise, catapultou o lp para território platinado.
Até 1981, assinariam grandes actuações ao vivo e vendagens assinaláveis. O último grande momento em disco data desse ano, "Fire of Unknown Origin", do qual seria retirado um tema que atingiu o Top 40 americano: "Burnin´for You". Com o decorrer dos anos 80, a aceitação dos grandes nomes de 70 desvaneceu e os Blue Oyster foram elevados ao estatuto de relíquia.
Indiferentes ao passar do tempo, os fãs, permaneceram fiéis ao espírito do agrupamento nova iorquino. O reconhecimento global acabou por surgir na década de 90 e numa certa recuperação do legado do conjunto. O DVD de 2003, "A Long Days Night", editado em Portugal, revela todo o potencial live de uma banda que se recusa a morrer e, descontando os clássicos, inclui uma nova canção que está à altura do seu património: "Dance on Stilts".
A já citada "Astronomy" constitui a minha escolha de vídeo. Para além de ser um épico com travo progressivo, põe a tónica numa personagem mítica, Desdinova, que se encontra num estado de demanda mística. Afinal de contas, território familiar para o grupo. De referir ainda que a versão que os Metallica fizeram do tema, em 1998, contribui para familiarizar as novas gerações com os Blue Oyster Cult.
Wed 13 Feb 2008 15:09